domingo, 24 de maio de 2009
sábado, 23 de maio de 2009
Diário: Paredes
Espelho
Bebi e me senti bonito.
Me olhei no espelho e vi que estava mais bonito quando sóbrio.
[1] Eu sou o que sinto?
[2] Eu sou o que vejo?
[3] Eu sinto o que vejo?
[4] Eu vejo o que sinto?
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Obrigada!
Obrigada! De Verdade, Hoje posso responder sua Pergunta.
Eu Mudei...
Bjs, Raiz e Solo.
domingo, 17 de maio de 2009
Que Deus perdoe quem tem pena de cavalo
Aquém.
A quem?
Quando?
Tomado de pena, subi no carrossel e me juntei a eles, no giro inútil. Observamos a roda gigante. Não sei se havia alguém. E se soubesse que havia, não saberia no que me serviria. São incertezas que eu crio - que nós todos criamos, não é verdade? não é verdade? - observando vazios que entendemos como passado. É que no carrossel tudo fica com essa cara assim, de painel. Se me amor me esperava na roda gigante, que continue esperando. E se não foi capaz de ver meu desespero em meio a cavalos, que vá embora e que não seja meu amor nem o amor de ninguém.
Não quero nada com quem não tenha pena de cavalos.
sábado, 16 de maio de 2009
Ator
Mas agradeço à Tatiana, à Sara e à Amanda, por me fazerem sentir-me artista, estudante, pesquisador, curioso, e não ator. Na verdade não é a elas que devo agradecer, é a mim mesmo, porque não há responsabilidades e culpas alheias. Há tanto trabalho e sorriso, deveria na verdade agradecer a todos. É que ser ator tem me desestimulado. Depois de 10 anos ou mais. É como sentir-se inútil de repente, sem arrependimento.
domingo, 10 de maio de 2009
Metade de coisas
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Amigo, amiga.
"Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração.
Nada de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere no coração.
Nada de novo existe neste planeta
Que não se fale aqui na mesa de de bar."
(Milton Nascimento - Fernando Brant)
Só posso agradecer. Porque são palavras do amigo, e é a voz da amiga. E choveu de um céu que também é meu. Um céu que é nosso. Então estaremos eternamente úmidos?, pelo céu que nos chove umas gotas que são tão próprias e que nos dizem sem o querer? Elas não dizem nada, mas nós inventamos dizeres. E estaremos úmidos também, amigo, sob as lágrimas que deixa chover?
"Choveu
Chovia tanto,
que transbordávamos angústia,
era o fim.
Estávamos sós e,
só havia o pó de nós
E morríamos."
(Luiz Paulo da Mota Reinol)O rato morto
...e havia um rato morto dentro de mim. Tive que retira-lo com cuidado, aceitando a responsabilidade sobre sua morte. Porque ele entrou e mim na esperança de habitar-me e se deparou com o vazio. Talvez não tenha morrido de fome, exatamente. Talvez tenha morrido de susto, que do vazio sempre emerge o que é ausente, e o vazio não é não haver – é vestígio. Ou talvez tenha se suicidado diante de uma liberdade absoluta e solitária. E talvez eu também esteja habitando um vazio, talvez o vazio de alguém. E todos estejamos trancados no vazio de Deus. E talvez Deus seja um menino sonhador, cujos pais trabalham fora o dia inteiro. Talvez estejamos na imaginação do menino, ocupando seu vazio. Talvez ele um dia seja atropelado e morra com nós todos. Talvez perca a memória e todos desapareçamos, dando lugar a coisas que nem podemos dimensionar. Talvez estejamos no vazio de seu estômago e determinemos sua fome. Talvez nos vomite um dia, porque posso sentir seu estômago, suas contrações. Estamos entalados na sua garganta! Não vamos deixar que abra a boca e nos diga, nos transforme em sons, em palavras incomunicáveis. Que ele permaneça mudo, e sob nosso comando.
Sonho
Sonhei que me despedia, sim, e quase sem querer encostávamos os lábios. E continuamos encostando como quem não tem maldade – maldade é, ao mesmo tempo, palavra equivocada e oportuna, pois 1 + 1 é infinito e duas existências compreendem vazios – . Logo a maldade foi molhando nossos lábios ásperos e eu me tornei mais alto – ou talvez estivesse degraus acima, numa escada que não se sentia. Sua cintura era macia. Não sei – e não sabia no próprio sonho – se ele fugia ou se criava um estranho jogo. Também não sei se fui embora ou se me despedi e fiquei.
Se ele ler o que escrevo – quebra de continuidade. – Me sentirei a coisa menor do mundo. E... já sinto. Estou pré-sentindo. Pré-sinto e pós-sinto, passo me observando, por cima, por baixo, pelas beiras das emoções, roçando nelas, talvez, a barra de minhas calças. Me vejo. Ali: pra dentro, curvado sobre si (sobre mim), para dentro de si (de mim!). Como me comovo. Sou meu espectador e meu ídolo.
Encouraçado
"Encouraçado nos meus agasalhos
Nesta vaguíssima avenida
Nesta lentíssima espreguiçadeira
No seio desta tarde confortável
Distante fugitivo
Da primitiva aldeia dos macacos
Onde cresci, onde me debrucei
E de onde fui expulso
Por raiva e desafio
Ao berço e à dinastia
Eu, bandoleiro
Eu, o proscrito
Eu, o fora da lei
E o que fazer
Eu quero, eu quero, eu quero
Encouraçado nos meus agasalhos
Nesta vaguíssima avenida
Nesta lentíssima espreguiçadeira
No seio desta tarde confortável
Exalo com voz cava
Os mais terríveis urros, vaticínios
A 100 mil anos luz
Da Palestina, da China e da Abissínia
Por raiva e desafio
Ao berço e à dinastia
Eu, bandoleiro
Eu, o proscrito
Eu, o fora da lei
E o que fazer
Eu quero, eu quero, eu quero
Encouraçado nos meus agasalhos
Nesta vaguíssima avenida
Nesta lentíssima espreguiçadeira
No seio desta tarde confortável
Contemplo a maravilha
A doce madrugada de Sodoma
Que os índios vão tomar à mão armada
Aos uivos e vagidos
Por raiva e desafio
Ao berço e à dinastia
Eu, bandoleiro
Eu, o proscrito
Eu, o fora da lei
E o que fazer
Eu quero, eu quero, eu quero, eu quero, eu quero, eeeeu... eeeeeu...."

