sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sonho

Fui em um aniversário e não me despedi do aniversariante.
Sonhei que me despedia, sim, e quase sem querer encostávamos os lábios. E continuamos encostando como quem não tem maldade – maldade é, ao mesmo tempo, palavra equivocada e oportuna, pois 1 + 1 é infinito e duas existências compreendem vazios – . Logo a maldade foi molhando nossos lábios ásperos e eu me tornei mais alto – ou talvez estivesse degraus acima, numa escada que não se sentia. Sua cintura era macia. Não sei – e não sabia no próprio sonho – se ele fugia ou se criava um estranho jogo. Também não sei se fui embora ou se me despedi e fiquei.
Se ele ler o que escrevo – quebra de continuidade. – Me sentirei a coisa menor do mundo. E... já sinto. Estou pré-sentindo. Pré-sinto e pós-sinto, passo me observando, por cima, por baixo, pelas beiras das emoções, roçando nelas, talvez, a barra de minhas calças. Me vejo. Ali: pra dentro, curvado sobre si (sobre mim), para dentro de si (de mim!). Como me comovo. Sou meu espectador e meu ídolo.

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