Perdi minha melhor amiga. Não sei se tudo estava realmente bem entre a gente. Ainda estou perdido e, apesar de dizer que estou bem, sei que não estou. E não é uma relação óbvia, não identifico minha tristeza. Só tenho quase certeza da raiz dela e estou ficando um pouco intransigente, seco, apressado, excessivamente expressivo.
Descobri há alguns minutos que meu primeiro namorado morreu. Uma pessoa que eu amei muito, e da qual tive muita raiva também, como se fossem duas pessoas. A morte quebra tudo, fica só uma dor, uma lembrança vaga (vaga mesmo, porque fazia muito tempo que eu não o via), e uma vontade de tocar no rosto dele.
Há pessoas que ressurgem. Que voltam de momentos muito parecidos. Como se tudo tivesse sido um sonho mesmo. Como se a Amanda tivesse sido um sonho maravilhoso e agora eu tivesse que tomar um café e recomeçar uma vida de merda. Tenho medo que as pessoas que voltam se deparem com alguém muito diferente, alguém que não vai sorrir à toa, que vai rir do que ninguém acha graça. Ontem me disseram que eu estou um pouco violento.
Hoje não posso dizer EU QUERO ser feliz. Hoje eu não sei o que dizer. Eu queria exibir minha dor, da maneira mais egoísta. Gritar meu choro. Um choro que mostrasse minha família vindo do sertão, minha educação repressora e superprotetora, meu medo, minha falta, meu peso, minha falta de apetite, a vida da Amanda, Claudio, Quintino, chuva, São Cristóvão, poeira, Catete, atravessar o jardim rapidamente, vergonha de mim..............................