sábado, 23 de maio de 2009

Diário: Paredes

banalidade
A casa velha aqui do lado foi comprada e no lugar dela será feito um prédio de dois andares, dividido em duas residências. Minha família estva feliz, com móveis novos e obra, telhado... Hoje descobrimos que a costrução ao lado da nossa via nos tapar, vamos ficar só com a visão de um pedacinho de céu. Sufocados, úmidos, mofados. Parece bobagem, mas sou eu que sinto. O espaço me afeta. Não gosto de casa escura. Vou ser mais infeliz ainda.

delírio
...as paredes crescendo em torno. Dentro, as pessoas se abandonam à felicidade racionalizada, a lembrança, sobre redes, cadeiras e camas. Sentindo-se afundar até perceber que foi o resto que cresceu. Como acordar de tarde com gosto horrível na boca e uma fome dolorosa. Todos sairão da passividade individual, correrão pela sala, pelso cômodos, em nome exatamente da sala, dos cômodos, tocarão as paredes verdes, chorarão pelo tom antes tão vivo, pedirão perdão às paredes, a si mesmos. Abraços no sofá. A televisão será como antigamente. Canções embalarão nossos pequenos sonhos. Até que cada um se acostumará, esquecerá desses sonhos conjuntos, e retornará aos intransferíveis. O que se pode fazer?

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