Aquém.
A quem?
Quando?
Ontem houve um carrossel e uma roda gigante em algum lugar. E eu estava neste lugar. Se eu disser que preferia a roda gigante, estarei mentindo, porque preferir não convém. A decisão é só minha. Os cavalos não têm culpa. Eles me olhavam, com seus olhos de cavalo tristes. Olhos de cavalo alegres. Pedintes. E giravam, sempre tão iguais. Iriam morrer de inveja e de dor me vendo girar pra cima e pra baixo e não para os lados como eles. E eu sei que todo cavalo de carrossel sonha em subir numa roda gigante.
Tomado de pena, subi no carrossel e me juntei a eles, no giro inútil. Observamos a roda gigante. Não sei se havia alguém. E se soubesse que havia, não saberia no que me serviria. São incertezas que eu crio - que nós todos criamos, não é verdade? não é verdade? - observando vazios que entendemos como passado. É que no carrossel tudo fica com essa cara assim, de painel. Se me amor me esperava na roda gigante, que continue esperando. E se não foi capaz de ver meu desespero em meio a cavalos, que vá embora e que não seja meu amor nem o amor de ninguém.
Não quero nada com quem não tenha pena de cavalos.
Tomado de pena, subi no carrossel e me juntei a eles, no giro inútil. Observamos a roda gigante. Não sei se havia alguém. E se soubesse que havia, não saberia no que me serviria. São incertezas que eu crio - que nós todos criamos, não é verdade? não é verdade? - observando vazios que entendemos como passado. É que no carrossel tudo fica com essa cara assim, de painel. Se me amor me esperava na roda gigante, que continue esperando. E se não foi capaz de ver meu desespero em meio a cavalos, que vá embora e que não seja meu amor nem o amor de ninguém.
Não quero nada com quem não tenha pena de cavalos.
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