domingo, 7 de junho de 2009

Domingo. E era ele, e era eu.

1
Ele mora no céu.
Tem um rosto plástico. É, parece que é feito de plástico.
O sorriso também é plástico.
É um garoto adorável.
Um galetinho sarado.
Discreto e arrebatador.
Ele é um movimento.
Ele tinha que casar com marinheiro (que é uma pessoa que vai).
É instável.
Cruzamento do Sandro com o Grande Otelo.
Ele vive tanta coisas ao mesmo tempo que nem sente (só a matéria sente)
Sabia que queria ir, só não sabia pra onde.

2
Colher no liqüidificador. Fermento da batata-frita. Miniaturas de veículos. Livros de teatro. Cigarros cedidos. Cigarros pedidos. Olhar desviante. Constrangimentos quase perfeitamente disfarçados. Manta verde nordestina. Medo de mar. Medo de praia. Medo de gente. Medo de ficar nu. Parques. Avenidas que se fecham aos domingos. Árvore grande. Grama da Quinta. Isqueiro (ops, cinzeiro). Salas brancas, quartos lilases. Shows não assistidos. Pães de queijo. Foucault. Lembrança. Gratidões. Recomeços. Escolas públicas. Faculdade pública. Escola gay. Faculdade enrustida. Canções de dentro. Quintino. Catete. Rua 20 de Abril.

3
O menino de ontem bateu à minha porta e disse:
- Ó, tá dando goteira lá embaixo.
...É que eu chorei pra dentro, querido, perdão.
Do lado de fora, janelas abertas, cortinas amarelas balançam cheias de esperança e aflição.

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