sábado, 26 de julho de 2008

Rascunhos antigos

Tenho arrumado minhas coisas, meus papéis; acabei de constatar que joguei fora um texto do qual gosto (gostava) muito. Restou sua versão inicial, menos detalhada e mais cafona, que vou colacar aqui. Também há uns versos que eu pretendia que virassem música debochada, um rascunho. O primeiro texto havia sido escrito para a oficina Improviso e investigação, uma cena onde eu o usaria combiando a textos de Fernando Pessoa e Neruda.

Primeiro texto

Eu me lembro de algumas coisas. Lembro da casa que construí naquele quarteirão escuro, das avenidas iluminadas que nos cercavam. Lembro que éramos felizes, acordávamos banhados pelo sol, um sol que acorda mas não levanta. Apenas boceja. Lembro do dia em que se falou de amor. A porta se abriu. E a luz entrou, entrou no meu ouvido, na minha boca, cortou minha pele, correu pelas minhas veias. Os feixes de luz se cruzavam formando luminosas avenidas. Eu corri, corri para os cantos escuros. Ele, ele pegou sua boina e foi embora na luz.

Segundo texto

Pequena, menininha
Pelo Centro, tão sozinha
Procurando seu amor
Se fingindo de boazinha
De inocente faz a linha
Ensaiado e penetrante seu olhar no vagão do metrô

Fofa, delicinha, miudeza,
Certeza: cê vai se dar mal
Ai de quem moldar a estátua em torno de si
A casa em volta do quintal

Ela caça uma paixão que ocupe seus vazios
Amor com ar de derradeiro
Seja falso ou verdadeiro
Alguém que lhe sorria e a acaricie todo dia
Já que ela não sorri
Na frente do espelho.

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