domingo, 15 de junho de 2008

OFICINA AUTORIA EM CENA 2007

Hoje lembrei dos textos que fiz na oficina do Digão e da Zazá (Rodrigo de Roure, Andreza Bitencourt), em que trabalhamos Shakespeare Reli e resolvi postar. Vou postando devagarinho, um por um.


AUTORIA 1
A PARTIR DA DISCUSÃO SOBRE
A TEMPESTADE

“Línguas rubras dos amantes / Sonhos sempre incandescentes...”

INdecentes. IMpossíveis. INacreditáveis. Sonhos nos quais, no fundo, não acreditamos. Então inventamos um sonho. Leio Shakespeare e crio sonho que vença a morte, sonho que supere Deus – eu sou Deus, meu Deus, meu próprio eu, próprio Deus.

O passado está por aí, por aí, por aqui, em vestígios; o passado mora no meu corpo, no meu chão, nos lajeiros, nos batuques (lembranças que as mãos transformam em sons). E o futuro onde está? Está por aqui? Ele existe? Fisicamente não. Cristo, me diga se o futuro existe, tu que marcaste teu futuro (engraçado, futuro teu que não viveste... teu futuro sou eu).

Cristina disse que você fecha a porta e o destino te espera em outra.

Eu, que deixei de crer há muito tempo, aprendo agora a acreditar (como fórmula para VIVER), na vida após a morte, não em estar vivo após a morte, mas na vida que vai continuar por aí.

A música. A música da Árvore dos mamulengos...

...eu, que vejo a vida como uma grande árvore, sinto vontade de rir! Raízes, raízes que cortam, rasgam tudo, outras vidas, pra fazer nascer a sua. Vira tronco, cheio de outras histórias! O vento. A chuva. A TEMPESTADE. Mas algo acontece e os galhos se formam. Os galhos. Muitos. Pra todos os lados. Muitos caminhos. Vida. Estradas, galhos. As folhas – nascem, crescem, apodrecem e morrem. Mas o apodrecimento gera vida.

Mas o vento não diz nada, como dizia Pessoa. Há há! Ele pode dizer mas o vento não pode, ó guardador dos rebanhos de si mesmo!

As tempestades... tudo depende de tudo. Tudo depende de tudo! Conspiração! Conspirar. É respirar com, aprendi em um lugar. Ou seja: meu amor, não foi culpa minha, nem sua. Nem foi culpa. Eu só inventei que é culpa pra ter desculpa pra sofrer. Siga seu caminho. O futuro? Não pense nele. Pense no passado, veja o passado aí, na sua pele seu espelho seu suor. E o presente! Os presentes! Os instantes... instantâneos... Imagens. Construir o passado.

Acabou de acabar.

A vida. Nós sempre acabamos. Estou acabando coisas agora. Tudo morre, tudo está correndo...

“Se um dia nós se gostasse”... se... se... mas não fomos até hoje e não seremos. Não somos agora.

Ariel... tão cruel e tão bom livrar alguém e escravizar... libertar e prender, não é? Ó seus pretensiosos...

Pretensão.

Pré-tensão...

A tensão... viva-a já... nem lá nem ali. Viva. Até mesmo a tensão que já foi, que já acabou, tremula dentro de ti.

Como a luz das estrelas.

“...A recomeçar recomeçar / Como canções e epidemias...”

Contagiar-se.

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