XLIV
Onde está o menino que fui,
segue dentro de mim ou se foi?
Sabe que não o quis nunca
e que tampouco me queria?
Por que andamos tanto tempo
crescendo para separar-nos?
Por que não morremos os dois
quando minha infância morreu?
E se minha alma tombou
por que permanece o esqueleto?
XLIX
Quando de novo vejo o mar
o mar me viu ou não me viu?
Por que me perguntam as ondas
o mesmo que lhes pergunto?
E por que golpeiam a rocha
com tanto entusiasmo perdido?
Não se cansam de repetir
sua declaração à areia?
NERUDA, Pablo. Livro das perguntas. Porto Alegre: L&PM, 2005, p 95 e 105.
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