quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Pós Oiticica

Viver o amor é como tocar na juta e gostar. Entender a delicadeza macia do que é áspero. É esconder a luz com a mão. Esconder a luz, toca-la, abrir e fechá-la. É como chorar puramente. É como sorrir menino. Depois que se pisa nas pedras voluntariamente, tudo é mais leve. Sou água, sou ar.

Caminhei nas pedras, na areia, deitei sob a juta. Mas levei a mochila. Tirar os chinelos mas carregar a mochila deve significar. Deve querer significar o que não quero dizer: há coisas que não carecem poesia. É onde a poesia não dá pé. Meus atos são mais que completos e rezo para que a poesia esteja nos olhos de quem os vê. Vagueio buscando poesia nos olhos alheios e, quando encontro, isso dá muito prazer. Ou a poesia só está em mim e para sobreviver me invado de prazer. Poesia é escrever olhos.

Este carro é gordo, aquele outro é antipático e o senhor ali era um Omega.

Este rapaz é avestruz.

Um drama aconteceu na esquina mas há tempo para contemplar folhas.

A bolsa prateada vai adiante de você.

Subir e descer é delicado.

A juventude está em ti.

A igreja é filha da que quis chegar no céu, mas ela própria não quer – só veste as roupas dos antepassados, por isso é atarracada que só ela.

A linha reta destruiria vidas mas não posso dimensionar.

Tem cosias que são boas de olhar e não de penetrar.

Quando o grande está pequeno, escorregar pode ser bom.

Me desses um abraço e um violão.

Se existisse a palavra vipório, seria.

Não deixe sua filha cair.

Nunca se sabe se é sedução ou cumplicidade.

Um comentário:

Marcelo Baère disse...

Essa coisa toda neo-dada-semiotica é tudo de bom!
tinhamos mesmo q fazer um sarau ahauah