...não temo o sofrimento porque é carnal. E a minha carne quer os olhos, o tempo, os passos no corredor, os planos, a tristeza, o medo, a ameaça, os suicídios, as mutações. A carne quer o que não diz respeito à carne. Quer o que não se apalpa, o que não se sente, o que se pressente. É uma carne masoquista essa, e dela sou todo formado. Não renego. Já é impossível na essência. A carne busca na carne o que está além, o que está cravado, o que está através e exalando. Eu a obedeço, como cidadão que não pode atravessar prédios sem pensar na gota de suor que escorreu num tijolo.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
O tijolo recôndito
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