domingo, 26 de julho de 2009

O espelho na garganta

As palavras são concretas.
A concretude das palavras pronunciadas vale mais que a das escritas, apesar de eu as poder ver?
Será que as minhas palavras são mais eficazes aqui ou faladas? Como chegam mais rápido à pele, como se fazem sentir melhor? Eu quero que elas raspem, que elas cravem, que reverberem, e que me tragam respostas.
Preciso de respostas porque percebo que estou me acostumando. Estou colocando um espelho na garganta. Estou enfiando a mão no estômago e a mexendo, em movimentos circulares: a isso tenho chamado dançar, talvez, dizer, ferir. Canto pra dentro e a qualquer momento, numa respiração, ou num olhar, ou talvez numa palavra não dita - num momento em que a boca se abra e aí permaneça em suspensão - a qualquer momento posso absorver tudo e não doar mais nada; vou engolir uma cidade e chorar, sem saber como dizê-la. Porque só tenho dito pra mim, pra mim, e quando eu jogar fora tudo que tenho pego, eu sei que vou me engasgar. Refluxo.
E, se nesta noite, eu morrer, num refluxo de tudo?
Desisto.

3 comentários:

Leonardo Pergaminho disse...

Amo cada letra das que leio e escrevo, lindo seu espaço aqui, grande abraço.

Ruth Mezeck disse...

Então ... tem um blog e não me contou...
vamos combinar esse findi ver Novarina? Por favor telefone
bjs.

LuCais disse...

Reflexo
Refluxo