sábado, 4 de abril de 2009

Sem cabeça

Sei que estou sendo abrupto. Como sempre fui parcimonioso, não vejo mal algum. O que dói é deixar de ser. Tem dias que a gente não é a gente, como ouvi dizer essa semana. E eu não devia me obrigar, me forçar e me jogar assim, sem sentir, como ouvi dizer essa semana. É curioso como o palco, em sua criação, em seu cuidado - e não na forma - tem se parecido com minha vida. Repito em cena o que tenho feito por aí. Um completo descuido, execução pura e simples, desrespeitosa. Eu não me respeito, não me considero e a plateia vê alguém sem respeito. A vergonha mairo é fazer diante dos outros o que é vergonhoso para mim. Minha cabeça está inflando, inflando. Se eu a perfurar com uma agulha, sei que o ar não vai sair lentamente, fazendo um barulho agudo e suave: ela vai explodir e vou perdê-la. Acho que tenho estourado um a um os membros do meu corpo, as partes da minha história, meus objetos.

Nenhum comentário: