sábado, 21 de março de 2009

"...e sei a vez de me lançar"

Uma vez a Tia Rô disse, em tom de brincadeira:
- Pára de se lançar, Lucas.
Tia Rô sabe das coisas.
Ma lanço pra todos os lados. Um jogo de pin-ball. Vou deixando meus vestígios. Um livro aberto. E com notas de rodapé.
A imagem do cais é tão presente por causa das cordas e das âncoras. De tanto me lançar, não saio do lugar. Estou dentro de mim. Me lançando e me debatendo dentro de mim. Ontem quase tive febre. O dia todo num estado febril.
Quando te vi não havia mais nada. Era o constrangimento do constrangimento. Teentando me aproximar me afasto, não tenho controle sobre minha força: cada toque, um empurrão. Gostaria mesmo de sentar numa mesa de bar e rir de tudo.
Medo de ficar em algum lugar atrás do tempo. Um dia vou cantar e minha cantiga vinda de longe será apenas uma conclusão. Me concluo há cada instante. Como nunca estou pronto, resta esse sabor de coisa mal-acabada.

Um comentário:

Dani Zamorano disse...

Temos mais em comum do que imaginamos "Tentando me aproximar me afasto, não tenho controle sobre minah força: cada toque, um empurrão"...